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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017


Carma, dharma, destino e livre-arbítrio na visão espírita



As palavras “carma”, “destino”, “livre-arbítrio”, sempre provocam no ser humano, em geral, algumas dúvidas, questionamentos de natureza existencial, porque ainda que não tenhamos qualquer crença religiosa, mesmo sendo o mais “convicto” materialista, nossas dores morais e físicas, nossa felicidade e desditas, os acidentes de percurso da vida, despertam-nos para as realidades da alma humana.


  - Ah, esse é meu destino, meu carma ! – Muitas e muitas vezes temos ouvido afirmativas como essa, de pessoas de diferentes classes sociais, cultura, profissão, religião, orientação sexual, e outros indicadores, conferindo às palavras carma e destino o mesmo significado: errado!


 CONCEITOS DE CARMA, DHARMA, DESTINO E LIVRE-ARBÍTRIO

Carma - as primeiras noções da lei de causa e efeito, segundo a qual a cada ação corresponderá, no plano moral ou físico, uma reação, revelando as causas do destino do destino do homem. Peso do destino que uma pessoa carrega (grifo nosso).

Destino - encadeamento de fatos determinados por leis necessárias ou fatais. Fatalidade. Fado. Sorte(grifo nosso).

Livre-arbítrio – opção que o homem tem para decidir e escolher o que lhe convém (grifo nosso).

Primeiramente, na definição da palavra “carma” existe explícito, segundo observamos em nosso grifo, a idéia de carma=peso do destino a ser carregado por uma pessoa, ou seja, todo carma é um peso.

Quanto ao “destino”, a noção clara de que os acontecimentos em nossas vidas estão predeterminados, e de que ficamos ao “sabor da sorte”, é cristalina como água pura.

Diante de conceitos tão fechados, rígidos, como pode valer em nossas vidas de espíritos imortais, ainda que atualmente encarnados, o tão almejado e necessário livre-arbítrio? Afinal, podemos ou não, decidir e escolher o que nos convém?

Nossa reflexão é no sentido de harmonizarmos os conceitos de carma, destino e livre-arbítrio, retirando-lhes os conteúdos deterministas, para uma visão ampla e transcendente, mais adequada com os aspectos educacionais e retificadores da reencarnação. A doutrina codificada por Alan Kardec trouxe uma compreensão profunda sobre a alma humana, abrindo horizontes ao homem, ao considera-lo um ser em franca evolução.


Muitas vezes tendemos a culpar o destino pelos rumos de nossas vidas e esquecemos que todo o caminho que percorremos é trilhado única e exclusivamente por nós. Como maior prova de amor e benevolência divina é que, mesmo diante de designações ou missões a cumprir em Terra, cabe a nós aceitarmos e seguirmos ou não, por mais importante que esta seja.

Responsáveis pelas consequências dos nossos próprios atos, arcar e conviver com as escolhas que fizemos é uma das maiores dádivas que podemos receber: a liberdade. O uso dessa liberdade é o que nos leva a uma vida de angústias ou iluminação pois, quando a usamos em decisões equivocadas sem admitir que agimos contra o caminho da luz, o sentimento de frustração é imediato, diferente da paz que se encontra ao aceitar suas atitudes. Lembre-se: é você quem dá as rédeas de seu próprio destino, interligando sua missão na terra ao peso de suas ações.
 
O Dharma é uma das metades desse mesmo princípio, representando o caminho da verdade e a lei natural; como uma zona onde a luz flui naturalmente e trilha o caminho da virtude. O Dharma é como entendemos o destino ou nossa missão na terra, e vive-lo é seguir o caminho indicado pelo universo.
Àquele que segue seu Dharma encontra a paz e fluidez em sua vida, realizam suas ações com graça, beleza e naturalidade, assim como um pintor que cria seus quadros de maneira tão natural quanto o ato de respirar.

O carma é erroneamente interpretado por nós como um vilão, como se fosse um peso ou um castigo por algo que fizemos, mas a realidade é bem diferente dessa interpretação. Somos levados a essa ideia da mesma maneira que nos esquecemos do que realmente é o livre arbítrio e culpamos o destino por nossos males. O carma na verdade é a lei que completa o conceito do Dharma.

Assim como a lei que rege suas ações, ele representa as escolhas e, através dele recebemos as consequências pelas nossas ações; não como punição, mas como um simples resultado da decisão tomada. O carma é a lei que determina o quão afastado ou próximos estaremos do nosso Dharma, portanto, um carma em equilíbrio, iluminado com boas escolhas, nos torna cada vez mais próximos de sua outra metade da plenitude.



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