EVOCANDO ESPÍRITOS
Os Espíritos podem comunicar-se espontaneamente ou atender ao nosso apelo, isto é, ser evocados. Algumas pessoas acham que não devemos
evocar nenhum Espírito, sendo preferível esperar o que quiser
comunicar-se. Entendem que chamando determinado Espírito não temos a
certeza de que é ele que se apresenta, enquanto o que vem
espontaneamente, por sua própria iniciativa, prova melhor a sua
identidade, pois revela assim o desejo de conversar conosco.
Ao nosso
ver, isso é um erro. Primeiramente porque estamos sempre rodeados de
Espíritos, na maioria das vezes inferiores, que anseiam por se
comunicar. Em segundo lugar, e ainda por essa mesma razão, não chamar
nenhum em particular é abrir a porta a todos os que querem entrar. Não
dar a palavra a ninguém numa assembleia é deixá-la livre a todos, e bem
sabemos o que disso resulta. O apelo direto a determinado Espírito
estabelece um laço entre ele e nós: o chamamos por nossa vontade e assim
opomos uma espécie de barreira aos intrusos. Sem o apelo direto um
Espírito muitas vezes não teria nenhum motivo para vir até nós, se não
for um nosso Espírito familiar.
Essas
duas maneiras de agir têm as suas vantagens e só haveria inconveniente
na exclusão de uma delas. As comunicações espontâneas não têm nenhum
inconveniente quando controlamos os Espíritos e temos a certeza de não
deixar que os maus venham a dominar.
Então é quase sempre conveniente
aguardar a boa vontade dos que desejam manifestar-se, pois o pensamento
deles não sofre, dessa maneira, nenhum constrangimento e podemos obter
comunicações admiráveis, enquanto o Espírito evocado pode não estar
disposto a falar ou não ser capaz de o fazer no sentido que desejamos.
Aliás, o exame escrupuloso que aconselhamos é uma garantia contra as más
comunicações.
ESPÍRITOS QUE PODEM SER EVOCADOS
Podemos evocar
todos os Espíritos, seja qual for o grau da escala a que pertençam: os
bons e os maus, os que deixaram recentemente a vida e os que vieram nas
épocas mais distantes, os homens ilustres e os mais obscuros, os nossos
parentes, os nossos amigos e os que nos foram indiferentes. Mas isso não
quer dizer que eles sempre queiram ou possam atender ao nosso apelo.
Independente da sua própria vontade ou de não terem a permissão de um
poder superior, eles podem estar impedidos por motivos que nem sempre
podemos conhecer.
Entre as causas que podem opor-se à manifestação de um Espírito, umas
estão nele mesmo e outras lhe são estranhas. Devemos colocar entre as
primeiras as suas ocupações ou as missões que desempenha, das quais não
pode se afastar para atender aos nossos desejos. Nesse caso a sua
manifestação fica apenas adiada.
Mas há também a sua própria situação. Embora a encarnação não seja um
obstáculo absoluto, pode constituir um impedimento em certas ocasiões,
principalmente quando se passa em mundos inferiores e quando o próprio
Espírito é pouco desmaterializado. Nos mundos superiores, naqueles em
que os liames que prendem o Espírito à matéria são muito
frágeis, a manifestação para o Espírito, é quase tão fácil quanto no
estado de erraticidade, e em todos os casos mais fáceis do que nos
mundos em que a matéria corpórea é mais compacta.
As causas estranhas ligam-se principalmente à natureza do
médium, à condição da pessoa que evoca ao meio em que faz a evocação e,
por fim, ao fim que se propõe. Certos médiuns recebem mais facilmente as
comunicações de seus Espíritos familiares, que podem ser mais ou menos
elevados; outros são aptos a servir de intermediários a todos os
Espíritos.
Isso depende da simpatia ou da antipatia, da atração ou da repulsão que o
Espírito do médium exerce sobre o evocado, que pode tomá-lo por
intérprete com satisfação ou com aversão. E depende ainda sem levarmos
em conta as qualidades pessoais do médium, do desenvolvimento de sua
mediunidade. Os Espíritos se apresentam com maior boa vontade e sobretudo são mais precisos com
um médium que não lhes oferece obstáculos materiais. Quando há
igualdade no tocante às condições morais, quanto mais apto seja o médium
para escrever ou exprimir-se, mais se ampliam as suas relações com o
mundo espírita.
Em resumo, do que acabamos de expor resulta: que a
faculdade de evocar todo e qualquer Espírito não implica para o
Espírito a obrigação de estar às nossas ordens; que ele pode atender-nos
numa ocasião e noutra não, com um médium ou com um evocador que o
agrade e não com outro; dizer o que quiser, sem poder ser constrangido a
dizer o que não quer; retirar-se quando lhe convém; enfim, que em
virtude de sua própria vontade ou não, após haver sido assíduo durante
algum tempo, pode subitamente deixar de manifestar-se.
Por
todos esses motivos, quando se quiser evocar um novo Espírito é
necessário perguntar ao guia protetor dos trabalhos se a evocação é
possível. No caso de não o ser, ele geralmente dá as razões do
impedimento e então seria inútil insistir.
LINGUAGEM A USAR COM OS ESPÍRITOS
O grau de
superioridade ou de inferioridade dos Espíritos indica naturalmente o
tom em que se lhes deve falar. É evidente que quanto mais elevados, mais
merecem o nosso respeito, a nossa consideração e a nossa submissão. Não
devemos tratá-los com menos deferência do que o
faríamos se estivessem vivos, mas por outros motivos: na vida terrena
consideraríamos o seu cargo e a sua posição social; no mundo dos
Espíritos só temos de respeitar a sua superioridade moral. Essa própria
elevação os coloca acima das puerilidades das nossas formas
bajulatórias.
Não é com palavras que podemos conquistar-lhes a
benevolência, mas pela sinceridade dos sentimentos. Seria ridículo,
portanto, dar-lhes os títulos que usamos na distinção das posições e que
em vida poderiam agradar-lhes a vaidade. Se forem realmente superiores,
não somente não ligam a isso mas até se desagradam. Um bom pensamento
os agrada mais do que os títulos mais lisonjeiros. De outra maneira eles
não estariam acima da Humanidade.
No tocante aos
Espíritos inferiores, seu próprio caráter determina a linguagem que
devemos empregar. Há entre eles os que, embora inofensivos e até mesmo
benévolos, são levianos, ignorantes, estouvados. Tratá-los igual aos
Espíritos sérios, como o fazem algumas pessoas, seria o mesmo que nos
inclinarmos diante de um escolar ou perante um asno com barrete de
doutor. O tom familiar não lhes causa estranheza e nem os melindra; pelo
contrário, é o que lhes agrada.
Entre
os Espíritos inferiores há os que são infelizes. Sejam quais forem às
faltas que expiam, seus sofrimentos merecem tanto mais a nossa piedade,
quanto ninguém escapa a estas palavras do Cristo. “Aquele que está sem
pecado atire a primeira pedra”. A benevolência com que os tratamos é um
consolo para eles. Na falta de simpatia, que encontrem em nós a
indulgência que desejaríamos para nós mesmos


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