JULGAMENTO NO MUNDO ESPIRITUAL
Enquanto vive no Mundo Material, o homem deve se esforçar para cumprir
plenamente a missão que lhe foi concedida por Deus, contribuindo para o
bem da sociedade. A maioria das pessoas, no entanto, fica atenta apenas
aos aspectos exteriores das coisas e, inconscientemente, pratica ações
subordinadas ao mal. Em consequência, no seu corpo espiritual vão se
acumulando máculas. Passando para o Mundo Espiritual, nele se efetua uma
rigorosa eliminação dessas máculas.
Ao entrar no Mundo Espiritual, a maioria dos espíritos é conduzida para o local a que dou o nome de Plano Intermediário.
Após a morte, o espírito das pessoas comuns vai para o Plano
Intermediário, mas o espírito daqueles que foram muito bons sobe
imediatamente ao Plano Superior, e o dos perversos desce incontinenti
ao Plano Inferior. Podemos ter mais ou menos uma idéia disso observando a
forma como ocorre a morte.
Aqueles cujo espírito vai para o Plano
Superior, sabem a data aproximada em que vão morrer e, nessa ocasião,
não sentem nenhum sofrimento; chamam os mais chegados, expressam seus
últimos desejos e morrem em paz, como se a morte fosse a coisa mais
natural.
Ao contrario, aqueles cujo espírito vai para o Plano Inferior
têm morte muito dolorosa, agonizando em meio a sofrimentos extremos. Os
que vão para o Plano Intermediário estão sujeitos a sofrimentos menos
dolorosos. A maioria dos espíritos vai para este plano, e podemos
deduzir isso observando a face do cadáver.
Se o espírito foi para o
Plano Superior; não há nenhuma expressão de sofrimento; pelo contrario, a
pessoa fica como se estivesse viva. Se foi para o Plano Inferior, a
face do cadáver se apresenta escurecida ou preto-esverdeada, com uma
expressão de agonia.
A face daqueles cujo espírito foi para o Plano Intermediário, em geral
mostra-se amarela, como é o caso da maioria dos cadáveres. Falarei primeiramente sobre os espíritos que se destinam ao Plano
Intermediário. Para chegarem lá, eles têm de atravessar um rio. Nessa
ocasião, um funcionário examina-lhes a roupa; se esta é branca, o
espírito passa, mas se é de cor; ele é obrigado a trocá-la por uma de
cor branca.
Há duas versões: segundo uns, o espírito passa por uma
ponte; segundo outros, não há ponte, e ele atravessa o próprio rio.
Estes últimos falam, ainda, que o rio não tem água e que as ondas que se
tem impressão de ver nada mais são que as ondulações dos corpos de
inúmeros dragões se movimentando.
Quando o espírito acaba de atravessar o
rio, a veste branca apresenta-se tingida; a cor varia de acordo com a
quantidade de máculas. A dos espíritos mais maculados tinge-se de preto.
A seguir, por ordem decrescente de máculas, a veste pode tomar-se azul,
vermelha, amarela, etc., sendo que a dos mais puros permanece branca.
Em seguida, de acordo com a tese budista, o espirito vai para o Fórum,
onde é julgado.
O julgamento é bem diferente do que ocorre no Mundo
Material: caracteriza-se pela imparcialidade, não havendo o mínimo de
favoritismo nem de equívocos. Na hora do julgamento, os espíritos vêem
de forma diferente a face de Enma Daio, o juiz. Para os perversos, ele
se apresenta com os olhos brilhando assustadoramente, abre a boca até ás
orelhas, e, quando fala, cospe fogo; só de vê-lo o espírito já fica
atemorizado.
Entretanto, os bons vêem-no com uma expressão afável,
branda e afetuosa, mas sóbria; o espírito, naturalmente, sente simpatia e
respeito por ele. Um por um, os pecados são refletidos num espelho de
cristal puro e, em seguida, julgados.
O julgamento é precedido de uma
investigação, procedendo-se, em seguida, à comparação das condições
presentes do espírito com os outros registros seus existentes no Fórum.
Após receber a sentença, o espírito dirige-se para um dos três níveis do
Plano Superior ou do Plano Inferior. Portanto, a "esquina de seis
caminhos" a que aludimos, como o próprio nome indica, é a encruzilhada
para ele ir a um daqueles níveis.
Todavia, embora tenha ficado decidido
que o espírito vai para o Plano Inferior, concede-se a ele mais uma
oportunidade: fazer aprimoramento no Plano Intermediário, para a sua
elevação. Aqueles que se arrependem e se convertem, ao invés de irem
para o Plano Inferior como estava determinado, vão para o Plano
Superior.
O trabalho de orientação é realizado pelos eclesiásticos das
respectivas religiões, como faziam no Mundo Material. Tais
eclesiásticos, após seu falecimento, recebem ordem para cumprir essa
missão. No Plano Intermediário, o período de aprimoramento vai de alguns
dias até trinta anos, e aqueles que não conseguem arrepender-se, descem
ao Plano Inferior. Há um outro fator ainda.
Se os parentes, amigos e
conhecidos lhe oferecem cultos após a morte - cultos feitos de coração,
com toda a sinceridade - ou somam méritos e virtudes praticando o bem,
fazendo feliz o próximo, a purificação do espírito desencarnado será
acelerada.
Por essa razão, a dedicação aos pais, a fidelidade ao
cônjuge, etc... aqui no Mundo Material, revestem-se de grande significado
mesmo após a sua morte, e eles ficam muito contentes com os cultos
feitos em sua memória.
Assista:

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